Hoje a tristeza invadiu o meu frágil coração. Não sendo materialista, dou algum valor aos meus objectos. Aquela caneta velhinha que me acompanhou durante a minha aventura no Liceu, e aquele caderno, gasto e amarelecido pelo tempo, onde registei algumas frases famosas, alguns desejos particulares e algumas máximas que aprendi a seguir - são pequenos tesouros que, não tendo valor pecuniário para ninguém, fazem parte da minha vida pessoal. Depois, há aqueles objectos, que ajudam a sociedade a medir o nível e estrato social de cada individuo. Também tenho desses. E, nunca imaginei que me fosse penoso deixá-los ir, mas em tempo de crise a regra é como diz o velho adágio: "Vão-se os anéis, ficam os dedos". Assim sendo, e por imposição das circunstâncias lá tive de me desfazer de alguns bens patrimoniais. Tudo em prol de uma boa causa. Uma causa justa que aguarda conclusão. Não há adjectivos suficientes para caracterizar o que senti. Num misto de desilusão, tristeza e saudad...