Hoje a tristeza invadiu o meu frágil coração. Não sendo materialista, dou algum valor aos meus objectos. Aquela caneta velhinha que me acompanhou durante a minha aventura no Liceu, e aquele caderno, gasto e amarelecido pelo tempo, onde registei algumas frases famosas, alguns desejos particulares e algumas máximas que aprendi a seguir - são pequenos tesouros que, não tendo valor pecuniário para ninguém, fazem parte da minha vida pessoal. Depois, há aqueles objectos, que ajudam a sociedade a medir o nível e estrato social de cada individuo. Também tenho desses. E, nunca imaginei que me fosse penoso deixá-los ir, mas em tempo de crise a regra é como diz o velho adágio: "Vão-se os anéis, ficam os dedos". Assim sendo, e por imposição das circunstâncias lá tive de me desfazer de alguns bens patrimoniais. Tudo em prol de uma boa causa. Uma causa justa que aguarda conclusão.
Não há adjectivos suficientes para caracterizar o que senti. Num misto de desilusão, tristeza e saudade, mais do que a dor da perda, justifiquei para mim mesma, vezes sem conta: "Não passam de objectos!". Pois é, mas todos eles são objectos com história. E, talvez por isso, pelo peso da sua história, decidi registar aqui, aquilo que hoje senti.
Para esquecer o vazio deixado por aqueles pequenos tesouros, fechei-me na cozinha a confeccionar um doce frio. Doce, para atenuar os sentimentos. Frio suficiente para refrescar o ardor que se fazia sentir no meu peito. Ao fim de menos de uma hora tinha esquecido as primeiras emoções. Passadas três, à medida que ia degustando a tão saborosa sobremesa, o meu pensamento mudara radicalmente: " Hummm, nada melhor do que um bom 'petisco' para nos fazer esquecer alguns desaires..." E, não ficou nenhum doce amargo de boca ! Melhores dias virão...

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